Existe coisa mais poética que o significado regional das palavras? É como pegar um pedacinho da terra em que se vive, e pôr na boca. E qualquer semelhança com a sensação oral da infância não será mera coincidência...As palavras, embaladas pelo significado regional, dão um sentido todo especial ao prazer de saber nosso o território onde se vive. Os “outros”, são apenas os outros; não nos entendem como nós nos entendemos.
Sinto isso desde quando comecei a viver no Pará. Trouxe de minha terra todo o regionalismo da língua puxada nos ssss, dos verbos pocar e esburrar, que só existem para os capixabas, que chamam lagartixa de “taruíra” e não desembarcam do ônibus: eles “saltam”.
Aqui chegando, que diferença! Me sentia vinda de outro mundo: facão era “terçado”, o pão não era “de sal” mas “careca” (ainda bem, pelo menos não tinha cabelo), e ninguém entendia quando eu dizia que ia “na cidade”, pois, afinal, já não estava nela? Ou estava pensando em viajar?
O “égua”, então, nem se fala! “Onde já se viu? Que palavra mais feia!”. Aqui se faz, aqui se paga! Quando da minha primeira visita de volta, para visitar os parentes, qual a minha surpresa quando os primos caíram na gargalhada e eu, muito surpresa, entendi que tinha soltado um “égua” já tão interiorizado, que nem eu mesma havia percebido!
Foi então que senti a primeira emoção de saber minha esta nova terra! Terra cheia de contrastes, de rios imensos, verdes exuberantes, cores e sabores tão peculiares: O meu Pará.
Me senti traindo minha terra natal, onde cresci pegando onda na praia, tomando “caldo” como se diz por lá? Claro que não. Pois me descobri com um coração dilatado, onde cabiam os dois lugares, e onde já se inseriram outros tantos pelos quais me apaixonei e dos quais também absorvi o regionalismo próprio de cada um, como o: “olha aquele cusco de cola comprida correndo atrás do boi guampudo”, que soltei uma vez lá no Rio Grande do Sul, no meu amado Alegrete.
E, afinal, o que me levou a escrever tudo isso? Um bolo! Queria comer bolo de aipim, um bolo delicioso super fácil de fazer e que derrete na boca, do qual tenho a receita, mas alguém me disse que aqui não tem aipim...só MACAXEIRA!
Então, pra comemorar esta mistura tão pitoresca que é o povo brasileiro, quero dividir com vocês esta receita de bolo de aipim, feito com macaxeira, que pra quem não sabe, também é chamada de Mandioca-doce! Aproveitem...
Sinto isso desde quando comecei a viver no Pará. Trouxe de minha terra todo o regionalismo da língua puxada nos ssss, dos verbos pocar e esburrar, que só existem para os capixabas, que chamam lagartixa de “taruíra” e não desembarcam do ônibus: eles “saltam”.
Aqui chegando, que diferença! Me sentia vinda de outro mundo: facão era “terçado”, o pão não era “de sal” mas “careca” (ainda bem, pelo menos não tinha cabelo), e ninguém entendia quando eu dizia que ia “na cidade”, pois, afinal, já não estava nela? Ou estava pensando em viajar?
O “égua”, então, nem se fala! “Onde já se viu? Que palavra mais feia!”. Aqui se faz, aqui se paga! Quando da minha primeira visita de volta, para visitar os parentes, qual a minha surpresa quando os primos caíram na gargalhada e eu, muito surpresa, entendi que tinha soltado um “égua” já tão interiorizado, que nem eu mesma havia percebido!
Foi então que senti a primeira emoção de saber minha esta nova terra! Terra cheia de contrastes, de rios imensos, verdes exuberantes, cores e sabores tão peculiares: O meu Pará.
Me senti traindo minha terra natal, onde cresci pegando onda na praia, tomando “caldo” como se diz por lá? Claro que não. Pois me descobri com um coração dilatado, onde cabiam os dois lugares, e onde já se inseriram outros tantos pelos quais me apaixonei e dos quais também absorvi o regionalismo próprio de cada um, como o: “olha aquele cusco de cola comprida correndo atrás do boi guampudo”, que soltei uma vez lá no Rio Grande do Sul, no meu amado Alegrete.
E, afinal, o que me levou a escrever tudo isso? Um bolo! Queria comer bolo de aipim, um bolo delicioso super fácil de fazer e que derrete na boca, do qual tenho a receita, mas alguém me disse que aqui não tem aipim...só MACAXEIRA!
Então, pra comemorar esta mistura tão pitoresca que é o povo brasileiro, quero dividir com vocês esta receita de bolo de aipim, feito com macaxeira, que pra quem não sabe, também é chamada de Mandioca-doce! Aproveitem...

Bolo de Aipim/Macaxeira/Mandioca-doce
Ingredientes
3 xícaras d/ Açúcar
1 xícara d/ Margarina
5 Ovos separados
6 xícaras d/ Macaxeira ralada
2 garrafinhas d/ Leite de Coco
1 pacote de Coco Ralado
1 xícara d/ Trigo c/ Fermento
Modo de Preparo
Bata o açúcar c/ a manteiga, junte as gemas (batendo sempre) até formar um creme, adicione a macaxeira ralada, o leite de coco e o trigo, alternadamente. Por último, bata as claras em neve e misture delicadamente. Asse em forma enfarinhada.
Ingredientes
3 xícaras d/ Açúcar
1 xícara d/ Margarina
5 Ovos separados
6 xícaras d/ Macaxeira ralada
2 garrafinhas d/ Leite de Coco
1 pacote de Coco Ralado
1 xícara d/ Trigo c/ Fermento
Modo de Preparo
Bata o açúcar c/ a manteiga, junte as gemas (batendo sempre) até formar um creme, adicione a macaxeira ralada, o leite de coco e o trigo, alternadamente. Por último, bata as claras em neve e misture delicadamente. Asse em forma enfarinhada.
Bom Apetite!
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