quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Comer com os olhos...

Algumas pessoas me perguntam, abismadas, como posso ler mais de um livro ao mesmo tempo! Eu posso, desde que sejam de gêneros literários diferentes. Algumas vezes chego a ler quatro de uma vez.

Ora! Não servimos variados tipos de alimento no mesmo prato, na mesma mesa, no mesmo dia? Então, por que não fazer o mesmo com o alimento para a alma? Variedade! Essa é a minha opção.Literatura, para mim, é algo assim como um prato bem feito, refeição completa. Posso ler um bom romance como se fosse um prato de feijão com arroz, bife e batata frita. Comida farta e simples, que deixa a gente satisfeita, enche os olhos e a barriga.

Já um livro de filosofia é comida requintada, merece calma e elaboração, mesa posta, vinhos e flores para acompanhar. Filosofia também tem minúcias que a diferencia de outras. Como as cozinhas. E, por coincidência, os autores refletem o meio de onde vieram, e também a cozinha e os sabores de suas terras. Há as refinadas, como a francesa. É assim que me sinto quando leio, por exemplo, Voltaire. Ou Rousseau.

Thomas More é o reflexo da cozinha inglesa, clara, simples e objetiva. Rosbife e pudim yorkshire. Já a alemã tem força e magnificência. Pompa e circunstância. A saber, Goethe, Nietzsche, Kafka. Erasmo de Roterdam, apesar de Holandês, escrevia em latim, e trouxe até nós a exuberância da cultura italiana. Seu livro “O elogio da loucura” tem tudo que de mais substancioso existe naquela cozinha, envolto no mais delicioso e encorpado molho de ironia.

Um compendio de administração vem como refeição de um prato só, pesada, untuosa: é feijoada, maniçoba, vatapá ou sarapatel, dependendo de onde e quem escreveu. Mas também pode ser ligth, inserida num contexto romanceado, como “O monge e o executivo”, que instrui sem massacrar.

Já a poesia... ah, a poesia! É o doce sabor da vida. Pode ser o pudim da sobremesa, ou a colher que raspa o fundo da panela de brigadeiro. Pode ser fruto em calda, nutritivo, mas envolto em maravilhosa doçura. Pode ser jujuba, colorida e açucarada, que você come aos quilos sem se dar conta. Pode ser chocolate, ao leite, amargo, crocante ou recheado, venha como vier, sempre energético e estimulante. Poesia, para mim, não tem hora nem lugar. Qualquer hora é hora e qualquer lugar é lugar

Enfim, que posso dizer mais? Literatura para mim é um banquete, mas também pode ser o salgadinho que se abre no ônibus ou na sala de espera do dentista, e se come até as migalhas do pacote. Costumo dizer que sou tão viciada em leitura que leio até bula de remédio. Fast food. Ou junke food, como queiram. Mas quem vai negar que tem lá seu sabor?!...

2 comentários:

  1. Minha amada amiga!! Seu blog é uma delícia emtds os sentidos!! Desde o nome, q inspira a vontade de descobrir o q tem aki dentro, como o conteúdo, repleto de saberes, sabores e emoções. Em poucas palavras,como diria Jarbas Novelino, seu blog tem alma!! Repleto de espírito, é como se estivessemos conversando com a autora cara-a-cara. Vc conseguiu trazer alma para a vida virtual. Trocando em miúdos, PARABÉNS!! Vc, como sempre, me dá mt orgulho!! T amo!!
    Jam

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  2. Puxa, meu primeiro comentário! Estou tão emocionada... Obrigada. E já que gostou tanto, ajude-me a divulga-lo. Gostaria de transforma-lo numa via de mão dupla, com aprendizado de ambos os lados, e aperfeiçoando sempre. Um grande bj.

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