sábado, 12 de setembro de 2009

Eficiência & Eficácia...

Em Administração, existem dois conceitos que são considerados iguais para a maioria das pessoas, mas que possuem significados completamente distintos: eficiência e eficácia. É através dessas definições que podemos concluir se uma determinada organização está desempenhando seu papel com sucesso ou se há algo que deve ser transformado.

Sempre gosto de utilizar a analogia de que nosso organismo é uma organização. Diferentes sistemas interagindo entre si. Nosso corpo é uma empresa, com sua hierarquia própria, seu próprio organograma. A cabeça pode até mandar bem, mas se o corpo não tiver as ferramentas necessárias para trabalhar, entra em concordata. A recíproca também é verdadeira. Foi neste sentido que pensei nos conceitos de eficiência e eficácia, de uma forma muito pessoal.

Posso ser eficiente, mas...serei eficaz?! Poderei ser eficaz sem ser eficiente?
Estes conceitos se confundem e nos confundem, ao serem utilizados indiscriminadamente, sem critérios. A pergunta correta seria: posso estar fazendo certo “a coisa”, mas...estarei fazendo “a coisa” certa? Eficiência trata do como fazer, fazer mais com menos, utilizar bem os recursos de que disponho. Já Eficácia trata de escolher certo o que fazer, para alcançar o resultado a que me proponho. Posso caminhar bem, e rápido, dispendendo o mínimo de energia no processo e certa de alcançar meu objetivo. Mas se pegar a estrada no sentido oposto, jamais chegarei lá. Eficiência é cavar o poço, eficácia é encontrar a água.

A confusão começa quando nos preocupamos com a eficácia apenas no final do processo, ao avaliarmos se realmente atingimos nosso objetivo, se encontramos água para matar a sede. Fizemos tudo certinho, utilizamos as melhores ferramentas, fortalecemos nossa coragem ao descer mais fundo no poço. Fomos eficientes. Mas se não tivermos avaliado bem o local que escolhemos...encontraremos areia ao invés de água. Nesse caso, temos eficiência, mas não eficácia.

Uma organização consegue atingir plenamente seus objetivos quando as tarefas que a mesma tem que desempenhar são realizadas com eficácia e com eficiência. Paulo Sandroni resume bem essa idéia: “Fazer a coisa certa de forma certa é a melhor definição de trabalho eficiente e eficaz. Por isso, é necessário que o administrador conheça profundamente os melhores métodos de produção, as atuais condições de mercado, do que a população está precisando, onde estão os funcionários mais competentes, enfim, aquilo que é essencial para que se produza com eficiência e eficácia”.

Poderei, de alguma forma, utilizar este aprendizado no meu crescimento pessoal? Acredito que sim. Basta avaliar quais são os meus “métodos”, quem é o meu “mercado”, ou seja, minha clientela, a população que espero atingir:conheço suas necessidades? Que “ferramentas” devo utilizar para atingir meu objetivo?...

Conta a lenda que certa vez um jovem lenhador resolveu desafiar o mestre de seu vilarejo. Este homem era um senhor já de idade, mas muito respeitado em sua profissão. Conhecia todas as técnicas e era quem tinha sempre a maior produção entre os lenhadores.

O jovem, convencido de que era melhor do que ele, fez o desafio. Nesta região, estes desafios eram eventos que agitavam os moradores locais. Ser o melhor lenhador era um título que conferia status, respeito e admiração. O jovem se preparou muito até o dia marcado. Chegando, cumpriram todo o ritual que deveria anteceder à competição. Cada qual deveria usar apenas um machado. Venceria aquele que cortasse mais árvores num período de 8 horas. Cabe aqui um pequeno comentário. Para que a história não tenha um sentido politicamente incorreto, ou seja, antiecológico, vale destacar que se tratava de um reflorestamento específico para fins industriais e que o mesmo estava dentro das regras ambientais, rsrs. Assim dito, foi iniciado o embate. Ambos começaram a atividade com vigor.

Após um longo período, o lenhador mais jovem, ao olhar para trás viu o mestre sentado. E continuou a labuta. Por várias vezes o mancebo ao olhar em direção ao experiente lenhador o via sentado. Logo imaginou o cansaço do mesmo devido à idade e que com isto a vitória seria fácil.

Ao final do período estipulado, os juízes foram contar o número de árvores que cada um havia derrubado. O sorriso do jovem traduzia sua certeza de vitória. Porém, o mesmo se viu decepcionado ao ouvir o resultado. Havia perdido por uma boa diferença. Inconformado questionou ao mestre como poderia ter perdido se sempre que olhava para trás o via sentado. O experimentado senhor disse-lhe: todas as vezes que me via sentando eu estava a amolar meu machado.

Enquanto o jovem lenhador só se preocupava com a tarefa (derrubar árvores) seu machado ia cegando. A cada nova árvore era necessário despender muito mais força e tempo. Ele foi eficiente, corou “certo” muitas árvores, mas não levou o título, não escolheu a forma “certa” de faze-lo, não foi eficaz.

Ao contrário do mestre, que planejou e se preocupou antes em o que fazer para fazer melhor. Esta é a grande distinção entre o significado de eficiência e eficácia. Imagine quem estava mais exausto ao final da competição. Certamente o mais jovem e não o mais velho que soube dosar sua energia e preparar sua ferramenta adequadamente.

Estou reavaliando meus métodos. Tentando descobrir um jeito melhor de fazer as coisas. Isto poderá gerar economia de tempo, material, equipamentos, além de evitar desgastes em excesso. E poderá traduzir-se em um diferencial: fazer mais, sim, mas também fazer melhor.

Nenhum comentário:

Postar um comentário