domingo, 16 de junho de 2013

Dieta para um viciado em carboidratos...

Comecei uma nova dieta.
Isso para quem me conhece não é motivo de felicitações, uma vez que tenho inúmeros destes starts no currículo, que mutas vezes não passaram das primeiras 12 horas iniciais, para vergonha minha. 

Assim, por quê e como, acreditei que esta pode ser diferente das demais, a ponto de deixar aqui registrado para a posteridade? "Elementar, meu caro Watson", diria Sherlock Holmes, sempre que começamos uma dieta é por acreditar que vai funcionar, dãã! 

Por isso não começo nenhuma a muito tempo. Não acreditava que nada  mais pudesse funcionar comigo. Tinha finalmente feito as pazes com meu corpo e, mesmo lá não muito satisfeita, combinamos, eu e ele, deixar estar pra ver como é que fica.

Mas desta vez houve motivos:

Em primeiro lugar, a sacada genial do dr Dukan sobre a psicologia do obeso e sua necessidade compulsiva de alimento. Reeducação alimentar é uma ótima opção, mas só funciona na base da frugalidade. Coma de tudo, com parcimônia. E quem é gordo, você pode deduzir sem medo de errar, pode ser tudo na vida, mas não é frugal. 

Temos peso em excesso justamente porque queremos sempre mais. Queremos a saciedade. A sensação de estarmos repletos. Plenos! Isso embute processos psicológicos severos? Óbvio que sim. Mas dieta nenhuma serve para  resolver isso. Dieta serve para emagrecer. Unicamente. 

E aí a sacada genial: Dieta Dukan emagrece, e trás plena saciedade. Pelo simples fato de você poder comer à vontade, comer até cair, comer até a exaustão, comer até estar satisfeito, até seu organismo dizer chega, pára, não aguento mais. 

Massssss, e tudo na vida tem um,  não é comer qualquer coisa não, isso não. E vamos então para o segundo motivo:

Obesos, em modo geral, são viciados em carboidratos. Não basta querermos a saciedade. Queremos logo! Rápido! Já! E nada responde com mais presteza a este chamado que o carboidrato. Pode ser em forma de doces, chocolates, sorvetes, ou pode ser em forma de pão, pizza, macarrão, empadas, bolos, massas em geral. De preferencia, tudo junto e misturado.

E não nos contentamos em comer um só. Não tem dessa de "só um pedacinho". Queremos o bocado completo, e a possibilidade de se lambuzar geral. 

Agora, desviando um pouco o assunto, me diga qual é o viciado em álcool que ao iniciar um tratamento de dependência, tem o controle de colocar álcool na boca e dizer que "vai ser só um golinho"??? 

Na Dukan, você inicia um processo de "limpeza" do vício. Nada de carboidrato. Nada! 

Abro um parêntese aqui para explicar que esta não é a proposta da dieta, tratar viciados em carboidratos. Até porque muita gente jamais assume que é. E muitos nem mesmo sabem que são. Assumir publicamente que você não pode passar sem um pãozinho com manteiga, ou mesmo dois ou três? Que entra na lanchonete e não consegue se decidir entre o pastel e a empada, então "me veja um de cada, e também aquela coxinha"? Que quando abre a geladeira, e lembra que na última compra decidiu não trazer nada "extra", acaba comendo o arroz com feijão de ontem mesmo, muitas vezes frio? Gordo não é gourmet. Gordo, muitas vezes, não chega a ser sequer um  gourmand.

Mas a Dukan, com sua proposta de exclusão completa, total e irrestrita do carboidrato, mesmo aqueles oriundos dos legumes e frutas neste primeiro momento, acaba se transformando em um processo turbinado de reabilitação. Com direito a síndrome de abstinência, inclusive. Os primeiros dias podem provocar de dores de cabeça a tonturas, além de falta de ânimo e cansaço. Mesmo assim, todos que tem persistido consideram que vale a pena.

Eu fiquei livre destes sintomas! E não é por ser melhor que os demais, mas por um motivo muito simples: eu assumi, desde o primeiro momento, que sou viciada em carboidrato, e que precisava de reabilitação. E optei por adiar o encontro com a terceira sacada desta dieta: o fato de que uma alimentação baseada exclusivamente em proteínas pode ser muito pobre em fibras. Para driblar esta possível contrariedade, é admitido uma colher de farelo de aveia por dia. 

Olha, vocês não têm ideia do que é a criatividade humana. E do que é possível inventar utilizando esta colher de farelo. Na pura  intenção de criar receitas que iludam os olhos e o paladar para dar a impressão de estar comendo massas. Tem pão, bolo, panqueca, muffin, tudo feito com o tal farelo. UMA colher.

Ora, nosso organismo não é besta, e não se deixa enganar facilmente. Pelo menos o meu não. Toda a percepção do alimento vem primeiramente pelos órgãos dos sentidos. E quando você prepara pão, quando você cheira o pão e você saboreia o pão, você está dizendo ao organismo que está comendo pão! E quando ele vai digerir, é farelo! A vingança só pode ser maligna! Dor de cabeça e tontura, no mínimo! 

Tente colocar um copo de cachaça na frente de um viciado e diga para apenas cheirar. Sua garganta ficará seca, e a boca salivará. Os dentes se trancarão, em protesto e luta. Agora ofereça um copo de água. É possível que ele até mesmo vomite. O processo alimentar não é diferente! 

Começo um período de abstinência de determinado alimento, e agora vou ficar iludindo meu corpo de que ele está ingerindo, sim, aquilo que eu, decididamente, não vou dar? Não funciona. Pelo menos, não comigo. 

É para abster? Então vamos abster definitivamente. E procurar outras formas de compensação. Ou seja, a quantidade. Do que é possível comer, coma até dizer chega, até que o corpo não tenha mais lugar para o desejo daquilo que falta, coma até a saciedade. Nada de complicar, com receitinhas magicas que envolvem manipulação demorada dos alimentos e preparo prolongado. Não. O básico. E muito. E sempre que der vontade.

Este processo vai se repetir indefinidamente? Claro que não. Assim como nenhuma reabilitação vai precisar que o viciado se prive da liberdade por tempo indeterminado. Tudo depende de qual a sua meta a alcançar. 

A dieta se divide em fases, sendo esta primeira a mais drástica e a mais curta, chamada de ATAQUE por, literalmente, atacar o problema. Depois, entra-se na fase de CRUZEIRO, ou a dieta propriamente dita, intercalando dias de apenas proteína na alimentação com outros que misturam proteínas com legumes e frutas.

 Após, há uma fase de CONSOLIDAÇÃO, baseada nas pesquisas que definem o tempo que o organismo precisa para se acostumar com o novo peso. E finalmente a ESTABILIZAÇÃO, esta sim uma verdadeira reeducação alimentar, depois que o corpo já se encontra longe do peso anterior, inclusive do peso da culpa, e que inclui o proposito firme de manter a dieta de proteínas por pelo menos um dia na semana. Por toda a vida.

O processo de emagrecimento dessas dietas baseadas em proteínas não vem ao caso neste post, e podem ser confrontados e confirmados com a pesquisa de várias dietas parecidas, como a Atkins e a a da USP, ambas bem conhecidas. 

Eu mesma já conhecia a dieta Low Carb, onde se diminui o consumo de carboidratos e aumenta a ingestão de proteínas, e que não deu resultado comigo pelos motivos que já mencionei acima: não eliminam completamente, e o corpo sempre está pedindo mais; sem falar que não limita a ingestão de gorduras, ou seja, no fim você até pode ficar magro, mas com as veias completamente entupidas...

Portanto, não vou entrar nos detalhes do funcionamento da dieta. Quem quiser pode ler o livro do dr Dukan, disponível tanto nas livrarias quanto por e-book, ou pode acessar o site oficial da dieta.  Minha verdadeira intenção aqui é mostrar que, conhecendo o mecanismo do próprio corpo, a Dukan pode ser um caminho sem volta e até mesmo agradável no percurso. 

Uma vez ouvi que eu tinha a tendencia de subir montanhas altíssimas buscando atalhos para um caminho que poderia nem ser, necessariamente, o mais longo. 

Acho que finalmente entendi...

2 comentários:

  1. É difícil mas olhando o lado que nos faz constante comilões dependentes de prazeres viciados em comida precisamos ver como está no lado afetivo
    Sabe se que muitas angústias frustrações recalques que carregamos na vida descontamos em prazer existe uma compensação nisso tudo...comemos trocamos, ao invés de não ter comemos repondo enchendo os espaços. E ou seja, buscamos prazer em tudo que nos faz mal e nos faz infelizes com o tempo,Sabemos o prazer que a comida nos dá, é momentâneo e sabendo de tudo isso eu me sugiro a continuar a comer melhor, não é fácil teremos as recaídas os dias difíceis mas não devemos parar e sempre cuidar do que vai para dentro.

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