Estes dias compartilhei um vídeo que foi postado na timeline
do meu facebook, sem notar qual era a origem do mesmo. A partir de um comentário de um dos meus
amigos mais chegados, fui perceber que se tratava de uma postagem de uma página
de FUNK.
No entanto, não foi a postagem em si, nem sua origem, mas o
desencadear da mensagem implícita que me despertou. Nela, meu amigo advertia
que o fato de estar partilhando informações dessa origem não era algo inerente à
minha pessoa, e que o fato em sí já demandava questionamentos...
Num primeiro momento, até me defendi ardorosamente. Não, não
havia ali conivência com a origem, apenas com o fato em si. Não me ligassem a
elementos daquela espécie...
Mas, qual o papel dessa imagem afixada de minha
pessoa? Quais as implicações? E de onde vinha o preconceito implícito na minha
resposta?
Por mera curiosidade, fui lá, na origem, conhecer melhor
aquele ambiente que eu tão rapidamente menosprezara. Uma página de funkeiros,
vídeos caseiros de baixa qualidade, musica e dança das quais não compartilho o
gosto. E no entanto...
No entanto, uma baita surpresa em verificar que alguns
sentimentos e ideias partilhados ali não eram tão diferentes assim dos meus
próprios sentimentos e ideias!
Sim, o não gostar do mesmo ritmo para acompanhar o balanço
da vida, o não compartilhamento de suas vidas, suas escolhas pessoais, nada
disso me autorizava a achar-me tão diferente (superior?) daqueles que estavam
ali, partilhando suas posturas e contradições, seus princípios morais nem
sempre corroborados pela prática, como todos fazem.
Achei ali pérolas escondidas, curiosidades, e no fundo, algo
que me despertou. Acima e além de tudo, o não me achar no direito de criticar
escolhas.
Continuo não gostando de funk, e das escolhas pessoais de
quem vive este mundo meio subversivo e inquietante. Mas isso por si somente não
me dá o direito de desconsiderar as individualidades e o lado humano inerente a
estes indivíduos que vivem, amam e sentem como a maioria dos mortais.
Algumas dessas pérolas serão partilhadas aqui, juntamente
com os sentimentos que me despertaram. Será uma série de “despertar”. Despertar
meu olhar interno e aguçado mais para dentro de mim mesma, e de como me
relaciono com meus conflitos interiores...

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