sábado, 7 de novembro de 2009

Canção da Sequóia...

...uma profecia e uma dissimulação, um pensamento imponderável

para se respirar como se respira o ar,

...


uma voz gigante, decisiva, murmurante, fora da terra e do céu,

voz da poderosa árvore moribunda na densa floresta de sequóias.


Adeus, meus irmãos!

Adeus, ó terra e céu, adeus, águas próximas,

Meu tempo chegou ao fim, meu término está aqui.

...

Rasgada em profundidade pelas laminas afiadas dos machados

lá na floresta densa das sequóias,

ouvi a árvore poderosa cantar o seu canto de morte.


Os lenhadores não ouviram, as barracas do acampamento não ecoaram,

quando os espíritos da floresta vieram de seu refugio de mil anos para também cantar o refrão,

Mas em minha alma a tudo ouvi.


O murmúrio que se eleva de suas milhares de folhas,

E, a partir de sua copa, elevando-se a duzentos pés de altura,

De seu tronco firme e de seus galhos, de sua casca espessa,

Aquele canto das estações e do tempo, canto que não era apenas do passado, mas do futuro.


Vida perene e robusta de mim, em meio à chuva e sob muitos sóis de verão,

Ó grandes, pacientes e sábias alegrias, os prazeres fortes de minha alma desprezados pelo homem,

Nosso tempo chegou ao fim.


Não nos rendamos com pesar, irmãos majestosos

Nós, que de modo grandioso vivemos nosso tempo.

Com o calmo contentamento da natureza,

Acolhamos com alegria aqueles que forjamos no passado,

Entreguemo-lhes o campo.


Por eles predissemos longamente,

Por uma raça mais esplendida, eles também, grandiosamente, vivem o seu tempo.

Por eles renunciamos, para estarmos neles absorvidos, assimilados, neles seremos reis.

...

Vós, germes vitais universais, imorredouros, subjacentes a todos os credos e às artes e aos estatutos

Erguei aqui vossos lares para sempre.

Quanto ao homem de ti,

Que ele possa aqui crescer robusto, doce, gigantesco

Que se eleve a uma altura proporcional à da natureza,

Possa ele aqui concentrar-se em si mesmo, desdobrar-se

E aqui sentir o seu tempo

Cair na hora devida, socorrer, esquecido ao final, desaparecer,

Servir.


Assim, ao eco do chamado e ao tinido das correntes, ao som da musica dos machados dos lenhadores,

A queda do tronco e dos galhos, o estrondo, o grito agudo e abafado, o gemido,

Os cem anos de duração, as dríades invisíveis cantando, retirando-se, às divindades modernas cedendo seu lugar, a visão da humanidade vindoura, as colonizações aparecendo,

Nas florestas de Mendocino percebi.


parte do poema de Walt Whitman, em Folhas de Relva

que pudesse ser, pelo menos, assim...

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