
Primeiro deveríamos perguntar o que é a liberdade para cada um. E a partir deste aspecto, determinar o que impede voce de se sentir livre, o que impede sua liberdade. Para uns pode ser o simples direito de ir e vir. Poder sair e entrar sem dar satisfações a ninguém. Para outros, a liberdade pode ter sabor de não fazer nada, estar bem à toa. Outros ainda podem querer a liberdade de expressão, poder dar livre curso a suas convicções pessoais.
Independentemente das inúmeras formas que a liberdade assume para cada um, uma coisa podemos ter certeza que é inerente a todas elas: todas tem um preço! No mínimo, o preço das escolhas.
Escolha, por si só, já pressupõe um plural. Se posso escolher, tenho mais de um caminho a seguir. E quando faço minha opção, estou abrindo mão de, pelo menos, um deles. Este é o preço mínimo da liberdade de escolha.
Quando quero ser livre para não dar satisfações a ninguém, estou, conscientemente ou não, abrindo mão da cumplicidade e do companheirismo, seja com amigos, parentes, companheiro, seja com quem for. Estes dois conceitos não podem, verdadeiramente, coexistir. Pensar o contrário é mera ilusão “idiótica”, é tapar o sol com a peneira, é querer o melhor de dois mundos sem pagar o preço de nenhum. Ou seja, pura trapaça.
Outro conceito imaginário de liberdade é o de que podemos passar á toa pela vida, sem fazer nada. Imaginário, sim, porque, querendo ou não, o princípio da liberdade não se desvincula do principio da responsabilidade. Responsabilidade para conosco mesmos, pra começar.
Imaginar que podemos viver totalmente ausente das responsabilidades é, talvez, a maior forma de trapaça que podemos pensar em praticar na vida. Afinal, não vivemos de ar, não “pairamos” simplesmente neste mundo. Portanto, alguém, em algum momento, em algum lugar, estará cobrindo nossa falta. Seja trabalhando para nos prover, seja produzindo o que nos sustenta, seja até mesmo nos concedendo uma providencial herança que venha nos permitir vagabundear pela vida afora. A responsabilidade esteve atrelada à liberdade de qualquer forma, voce a comprou, apenas não foi voce quem pagou por ela. Como eu disse antes: trapaça!
Só podemos ser totalmente livres, com esta liberdade imaginária e irresponsável que idealizamos, podendo entrar e sair à vontade, estar à toa para fazer o que quiser, se abrirmos mão da vida em sociedade. Ser um verdadeiro ermitão no sentido exato da palavra, sem amigos, sem família, sem ninguém que se ocupe de nós. Provendo nosso próprio sustento dependendo exclusivamente de nós mesmos.
Por isso a pergunta inicial:qual o preço que voce está disposto a pagar pela liberdade que deseja?
De outra forma, só nos resta adentrarmos este mundo adulto da liberdade responsável, da liberdade que não invade o espaço e o direito do outro, que não faz o outro sofrer ou trabalhar a meu favor sem receber nada em troca, apenas porque eu, egoisticamente, escolhi trapacear a vida. Da liberdade que não me impede de impor limites e dizer não, mas que sabe também não extrapolar os limites impostos pela liberdade do outro.
O ser humano, desde que se tornou sociável, sempre fez trocas. Uma coisa pela outra. O que eu tenho sobejando eu dou a quem falta, em troca daquilo que faz falta a mim e sobeja em voce. Escambo. O que abunda em mim em troca do que abunda em voce, seja mercadoria, serviço, conhecimento ou sentimentos.
Talvez daí advenha a máxima de que os opostos se atraem...
Portanto, a liberdade como a idealizamos, a liberdade total e irrestrita, estou convicta agora, não existe. Nunca existiu. Sempre foi apenas um delírio de imaginação. É impossível de coexistir num mundo social e cooperativo. É, talvez, uma forma delicada que a vida encontrou de fazer com que os jovens entrem de forma paliativa no mundo adulto e responsável, à medida em que vão se dando conta de que se não derem algo em troca, também não irão receber o que necessitam. O mundo não oferece amor incondicional.
E aqueles que não conseguem se adequar a este mundo de constante escolha responsável, irão passar a vida inteira trapaceando. Principalmente a si mesmos. Porque vão passar a vida acreditando estar levando vantagem, sem descobrir e aproveitar o princípio básico da sabedoria humana, aquele que faz tudo valer à pena, no qual é mais sábio, importante, válido, dar do que receber.
Edna Hoher
em 09/11/2009
Independentemente das inúmeras formas que a liberdade assume para cada um, uma coisa podemos ter certeza que é inerente a todas elas: todas tem um preço! No mínimo, o preço das escolhas.
Escolha, por si só, já pressupõe um plural. Se posso escolher, tenho mais de um caminho a seguir. E quando faço minha opção, estou abrindo mão de, pelo menos, um deles. Este é o preço mínimo da liberdade de escolha.
Quando quero ser livre para não dar satisfações a ninguém, estou, conscientemente ou não, abrindo mão da cumplicidade e do companheirismo, seja com amigos, parentes, companheiro, seja com quem for. Estes dois conceitos não podem, verdadeiramente, coexistir. Pensar o contrário é mera ilusão “idiótica”, é tapar o sol com a peneira, é querer o melhor de dois mundos sem pagar o preço de nenhum. Ou seja, pura trapaça.
Outro conceito imaginário de liberdade é o de que podemos passar á toa pela vida, sem fazer nada. Imaginário, sim, porque, querendo ou não, o princípio da liberdade não se desvincula do principio da responsabilidade. Responsabilidade para conosco mesmos, pra começar.
Imaginar que podemos viver totalmente ausente das responsabilidades é, talvez, a maior forma de trapaça que podemos pensar em praticar na vida. Afinal, não vivemos de ar, não “pairamos” simplesmente neste mundo. Portanto, alguém, em algum momento, em algum lugar, estará cobrindo nossa falta. Seja trabalhando para nos prover, seja produzindo o que nos sustenta, seja até mesmo nos concedendo uma providencial herança que venha nos permitir vagabundear pela vida afora. A responsabilidade esteve atrelada à liberdade de qualquer forma, voce a comprou, apenas não foi voce quem pagou por ela. Como eu disse antes: trapaça!
Só podemos ser totalmente livres, com esta liberdade imaginária e irresponsável que idealizamos, podendo entrar e sair à vontade, estar à toa para fazer o que quiser, se abrirmos mão da vida em sociedade. Ser um verdadeiro ermitão no sentido exato da palavra, sem amigos, sem família, sem ninguém que se ocupe de nós. Provendo nosso próprio sustento dependendo exclusivamente de nós mesmos.
Por isso a pergunta inicial:qual o preço que voce está disposto a pagar pela liberdade que deseja?
De outra forma, só nos resta adentrarmos este mundo adulto da liberdade responsável, da liberdade que não invade o espaço e o direito do outro, que não faz o outro sofrer ou trabalhar a meu favor sem receber nada em troca, apenas porque eu, egoisticamente, escolhi trapacear a vida. Da liberdade que não me impede de impor limites e dizer não, mas que sabe também não extrapolar os limites impostos pela liberdade do outro.
O ser humano, desde que se tornou sociável, sempre fez trocas. Uma coisa pela outra. O que eu tenho sobejando eu dou a quem falta, em troca daquilo que faz falta a mim e sobeja em voce. Escambo. O que abunda em mim em troca do que abunda em voce, seja mercadoria, serviço, conhecimento ou sentimentos.
Talvez daí advenha a máxima de que os opostos se atraem...
Portanto, a liberdade como a idealizamos, a liberdade total e irrestrita, estou convicta agora, não existe. Nunca existiu. Sempre foi apenas um delírio de imaginação. É impossível de coexistir num mundo social e cooperativo. É, talvez, uma forma delicada que a vida encontrou de fazer com que os jovens entrem de forma paliativa no mundo adulto e responsável, à medida em que vão se dando conta de que se não derem algo em troca, também não irão receber o que necessitam. O mundo não oferece amor incondicional.
E aqueles que não conseguem se adequar a este mundo de constante escolha responsável, irão passar a vida inteira trapaceando. Principalmente a si mesmos. Porque vão passar a vida acreditando estar levando vantagem, sem descobrir e aproveitar o princípio básico da sabedoria humana, aquele que faz tudo valer à pena, no qual é mais sábio, importante, válido, dar do que receber.
Edna Hoher
em 09/11/2009
Isto me parece muito com alguém muito querido e conhecido.Será um recado?rsrsrs
ResponderExcluirJam
Detesto ter que discordar, mas na verdade o que temos aqui é, no máximo, uma confluência de caminhos (ou des-caminhos). bjs
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