terça-feira, 5 de abril de 2011

De volta pro meu aconchego...

“trazendo na mala bastante saudade...”



Minha ultima postagem aqui foi em agosto do ano passado. Desde então muitas águas tem rolado por baixo da minha ponte, dentre elas a mais turbulenta, meu tsunami particular, talvez tenha sido enfrentar um câncer.


Envolvida em meu universo particular, captando cada minúsculo fragmento de força ao meu redor para me manter de pé sem cair, embora tenha havido muitos bamboleios e alguns tropeços no percurso, não sobrava muito para repartir. Daí a ausência de postagens aqui no blog.


Câncer. Incrível como em nossos dias, com todas as possibilidades da medicina moderna, esta palavra ainda seja motivo de constrangimento e permaneça encoberta de dissimulações e preconceito: “não diga câncer, o que você teve foi um tumor...” Pura semântica, que a biópsia não perdoa: Oncocitoma Renal, raro, menos de 7% dos diagnósticos. Encapsulado, não provoca metástase. Nem por isso foi menos câncer... nem por isso houve menos luta, menos medo, menos necessidade de arregimentar forças para enfrenta-lo. E enfrentar a possibilidade de que ele pudesse vencer...


Isso me fez pensar que, mais que o medo do câncer, na verdade o que enfrentamos é o nosso próprio medo da morte, pois apesar e todo avanço da medicina, muitas vezes estas duas palavras tornam-se sinônimas. Como estamos despreparados diante dela, como nos sentimos indefesos, como nos assusta!...


E a sabedoria popular insiste em nos afirmar que a morte é nossa única certeza na vida, que estamos aqui só de passagem, e outras pérolas do mesmo calibre...


Mas quando chega a nossa vez, quando enfrentamos cara a cara, peito a peito, que diferença! Como nos apegamos a esta vidinha miserável, como pensamos que somos indispensáveis a este mundo, que ainda não fizemos tudo que queríamos ou poderíamos ter feito, que se tivéssemos uma outra chance poderíamos ser mais e melhor...


Será?


Será que poderíamos mesmo? Será que com a bagagem que trazíamos antes poderíamos ter feito diferente, ou foi a luz desta nova experiência que nos despertou para esta possibilidade?


E se não der? E se realmente chegou a nossa hora de prestarmos contas com o Grande Arquiteto do Universo? Teríamos saldo positivo, ou sairíamos completamente devedores? O que estamos fazendo com nossos “talentos”? Aqueles que nos foram entregues para que investíssemos em busca de retorno, lucro, recompensa futura, aumento de capital? Que temos em mãos hoje, hoje, neste momento, para apresentar como fruto, como saldo de todo o nosso périplo neste mundo?


A humanidade insiste em se perguntar “de onde viemos? para onde vamos?” Quando a pergunta essencial é: o que estamos fazendo? Que estou eu, eu, fazendo aqui para que possa dizer que valeu a pena estar vivo, ter recebido esta dádiva maravilhosa que é a vida? Estou aproveitando a vida, me divertindo e divertindo gente? Seria este o propósito mesquinho e fútil desta odisséia maravilhosa que é a vida neste planeta? Estou me aperfeiçoando enquanto pessoa? Estamos aqui para ajudar-nos uns aos outros? Para que, se o fim de tudo é a morte?


O egoísmo humano insiste em acreditar que Deus nos amou a tal ponto que criou o mundo como playgroud e nos deu de presente.


Sim, Deus nos amou, e a tal ponto que mandou seu filho a este mundo para nos resgatar dessa vã filosofia , deste pensamento vil e limitado. ”Deixem disso, disse ele, saiam dessa, cresçam e apareçam, ou vão ficar para trás quando eu voltar para buscar os meus, vão ser desclassificados, rotulados como joio, semente vazia, casca sem grão”.


E nós insistimos em acreditar no Deus bonzinho, que não vai ser malvado a ponto de deixar alguém para trás, pois afinal não somos todos “seus filhos”?...


Mas não é isso que a Bíblia nos ensina. Ela adverte a todo tempo que existe um teste, uma prova, um vestibular celestial.


E Deus continua nos amando a tal ponto que tem poupado o mundo para que tenhamos a oportunidade de despertar para esta realidade: aprender a servi-lo, aqui, agora, para estarmos preparados para assumir este papel também durante a eternidade. Quem pensa que o céu é o lugar onde vamos satisfazer todos os nossos desejos egoístas, vai levar um grande susto quando chegar lá...


Deus me concedeu uma nova oportunidade, de aprender a valorizar o essencial, o que realmente importa. E eu estou disposta a ser uma aluna dedicada, deixando para trás as mesquinharias, as picuinhas que só atrasam o caminho.


E se a “camarde” vier novamente bater a minha porta, usando o epíteto de câncer, acidente ou derrame, receberá as boas-vindas, será convidada a entrar e cear comigo. Sim, eu direi, estou pronta, trilhei o bom caminho, aprendi a lição, acabei a carreira, guardei a fé, vamos, quero começar exercer minha nova função, já...





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