Minha amiga irmã alma gêmea já me dissera que um blog era como um filho, que teria que ser alimentado constantemente ou correria o risco de padecer da enfermidade das alminhas tenras que se vão cedo deste mundo: fenecer por ausencia de cuidados.
Temo que estava embrenhando pelos caminhos do crime, deixando meio de lado esta pequena flor de consolo que me desafoga a alma nas minhas horas de desassossego. Pudera.
Entre os cuidados da casa, trabalho, filhos que os tenho tres, e que se desenrolam por tres diferentes fases, todas tão diversas e dispersas que me esfrangalham às vezes, tentando me desenrolar em ternuras e cuidados para com meu pequeno em suas primeiras incursões no mundo escolar, ou em ternuras e encorajamento do outro maior mas cheio de pudores pré adolescentes, ou indo além, com ternuras e desvelos, entre encorajamentos e freios, incentivos e limites, tentando administrar as idas e vindas, a maturidade meio infantil de uma menina quase mulher, ou uma mulher ainda meio menina, que alça os primeiros voos livres, mas ainda com as penas meio úmidas do ninho...
Entre os caminhos do engajamento social que me levou a embarcar na barca furada, mas que vai sempre em frente, pois sempre tem um dedo disposto a tapar mais um buraco, da educação escolar pública, enquanto coordenadora do conselho escolar...
Entre a construção do lar dos sonhos, que se muda e se adapta mais à cada dia à realidade do que podemos e não do que queremos, mas que se torna mais palpavel enquanto avança e se materializa no visivel, no realizavel, no possivelmente bem próximo, e que seja o quanto antes...
Entre a dança de duas empresas totalmente diversas e dispersas, com suas realidades unicas e suas exigencias multiplas, com seus números implacáveis e suas quantidads interminaveis de processos e papéis...
Enfim, entre minhas leituras e minhas fugas, entre meu mundo sempre espremido entre o imaginário e o real, que ninguém consegue se manter fiel a nenhum deles, nem se manter totalmente alienado de nenhum deles, que a vida é doce mas não é mole...
Entre tudo isso, e muito desejado e muito calculado e muito arriscado, mergulhei de cabeça numa pós graduação, voltando ao tempo em que livros e prazos se misturam, em que voce não le mais apenas por prazer mas por ter que apresentar resumos e resenhas e análises de casos, tudo muito participativo, muito interativo, muito atual.
E sim, muito, muito louco!!!
Minha nossa, eu precisava mesmo disso?! Toda esta bagunça a meu redor, tentando me desdobrar em muitas ao mesmo tempo, me dando conta que não sou mais daquelas que podem dar atenção a mil coisas ao mesmo tempo sem esquecer de nenhuma, esquecendo que preciso de um caderno de notas sempre ao meu redor ou vou deixar de lembrar o que a empregada pediu para comprar, ou o prazo da entrega daquele documento importante num determinado órgão público, ou o resultado da votação da última reunião na escola e o que eu devia providenciar mesmo? ah sim, preciso lembrar o colega de curso que ele ainda não enviou sua contribuição para o ultimo trabalho do grupo, porque, afinal, como eu não tenho mais nada para fazer e me sobra tempo para ser babá de marmanjo, ainda fui escolhida para liderar o grupo de estudo num projeto de financiamento que vai me custar os olhos da cara, literalmente, que já não enxergo mais como antes de tanto ficar em frente ao computador, ou talvez por estar ficando velha mesmo, quem duvida, pois que entre tantos afazeres já me esqueço até que o espírito é que conta, e acabo o dia com uma baita de uma dor nas costas, o traseiro dormente, o pescoço duro...
Gente, como estou feliz...
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