Normalmente, somente quando não estamos plenos que sentimos os nós da vida.
Sempre pensei nestes "nós" como nada mais do que conflitos, conflitos entre o nosso interior e o mundo externo que nos cerca.
Quando criamos expectativas sobre uma pessoa, querendo que ela seja o que nossa mente criou e não o que ela é: Isto é um nó!
Quando ficamos remoendo uma situação que já passou, desejando que o tempo volte, idealizando o que, segundo nosso ponto de vista limitado, é o "correto": Isto é um nó!
Quando damos força às opiniões alheias sobre nossa pessoa, alimentamos um desejo doentio de transformar uma auto-imagem em realidade: Isto também é um nó!
Mas a vida pode nos trazer aprendizado constante, dos modos mais diversos...
Esta semana, aprendi que "nós" podem ser, também, ligaduras, ataduras, laços, correntes que nos prendem ao emaranhado da vida, que só pode ser traduzida, em uma palavra, como equilibrio de opostos.
"Só podemos desatar o emaranhado de dificuldades quando traduzimos os entraves em esperança."
Quero repartir com voces parte de um texto poético e delicado, escrito por Noélio Mello, cronista de "O diário do Pará", que descobri muito por acaso. Trata dos nós que nos apertam, mas também daqueles que podem nos manter ligados a algo muito maior que nós mesmos. Confiram:
“A vida, na sua essência, é luz que não cessa. Riso que não basta. Olhar que não descansa. Manhãs e tardes que nos perfumam de esperanças. Noites que plantam estrelas na pele, na alma, nas paredes do coração. Mas existem momentos que, parece, a vida fecha suas janelas para a própria vida. São os nós da vida que um dia apertam sentimentos, que amarram nossa alegria. Que nos atam às dores, às saudades, ao desamor e que nos deixam sós no meio de muitos nós de multidões.
Eu, como muitos, já senti na pele nós desatinados, atados, amarrados até que o tempo me deu conta que não mais podia ficar a ouvir o cair do meu próprio pranto jorrado, vertendo aos meus pés, parados...
Pensei estar preso ao findar de todas as alegrias.
Tantos nós, meu Deus, que quase sem voz vibrante, queria, quase exigia, que todos os ouvidos fossem cúmplices dos meus alaridos de dor. Andei lento, errante, apenas um andante de pernas e braços desacelerados.
Caminhar para onde?! Que interrogação sem resposta, que nó bem dado que eu mesmo não sabia meu destino, que triste hino à dor! Alma apertada, dor instalada, saudade desatinada, nó bem amarrado pelas veias da vida, estradas das minhas entranhas, estranhas cordas que pareciam impossíveis desatar, cortar, podar, reconstruir, refazer, costurar.
Em muitos momentos, coração pulsando acelerado ou lento demais,
angustiado, algemado às suas próprias paredes...
pelos nós que a própria vida deu. ...
mas aprendi que sempre pode haver um tempo de recomeçar e fico a pensar que mãos bem moldadas foram essas que me indicaram um novo caminho, que desfizeram tantas encruzilhadas de nós, que ofertaram à minha nova alma, sem nós atados, a sublime liberdade de poder reinventar a vida, a felicidade, e seguir em frente...
E mesmo sabendo que ainda sou nó atado ao passado, sou, agora, também nó preso à esperança, aos milagres dos céus..."
Como bem disse Ana Carolina:
“...de que vale teu cabelo liso, e as idéias enroladas dentro da tua cabeça?”
inspirado em: http://www.overmundo.com.br/banco/nos-somos-os-proprios-nos-da-vida
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