Continuo falando de símbolos, e do que eles representam para nossas vidas. Como podemos aprender com eles e como muitas vezes deixamos passar em branco seus exemplos, sem tirar deles a lição ao mesmo tempo singela e plena que poderia ajudar-nos a tranformar nossas vidas.Hoje quero lembrar quão poderoso é o símbolo contido no fato de uma lagarta rasteira e sem cor transformar-se num ser alado e multicolorido não mais condenado a arrastar-se sobre a terra, mas uma criatura completamente diferente que pode voaor pelo ar em liberdade.
Imagine, porém, que algum encantamento terrível se abata sobre a lagarta, fazendo-a abandonar seu destino. Imagine que ela nunca realize os passos que tornam possível sua transformação. Que não coma as folhas apropriadas, nem teça seu casulo. Talvez passe o resto de sua vida simplesmente rastejando e lutando contra seus inimigos. Só podemos esperar que alguma coisa, em algum lugar, em algum tempo, faça a lagarta recordar-se de sua identidade e realize seu verdadeiro destino.
Da mesma forma, temos o potencial para transformar uma vida sem atrativos e limitada em outra que traga liberdade e realização. Possuímos uma consciência poderosa, uma sabedoria interior que pode nos conduzir à liberdade quando colocada em ação. E embora toda ação demande esforço, obstáculos a transpor, estes podem ser amigos e professores. Por que vem a nós exatamente na proporção de nossa capacidade de criar força para transpo-los.
Conta uma lenda que um discípulo impaciente foi instruído por seu mestre a observar um casulo. Durante muito tempo esperou que a borboleta emergisse mas era difícil acreditar que havia algum tipo de vida naquele interior. “Aprenda a ser paciente, e observe” disse o mestre. Um dia houve um indicio de movimento. Ao aproximar o ouvido era possível escutar os ínfimos sons provocados pelos arranhões da borboleta no interior. Mas parecia levar muito tempo. Com muito cuidado, o discípulo descascou a camada exterior do casulo, para libertar a borboleta. E ela emergiu de fato. Mas não conseguia voar. Era apenas capaz de andar e bater de leve as asas. O esforço, o trabalho de quebrar o casulo e sair de dentro era uma parte necessária para uma longa existência de vôos.
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